Durante muito tempo tive conflitos internos entre a) a ideia de que somos todos iguais perante a lei e b) a ideia de que existiam leis específicas para determinados grupos sociais. Nunca me senti inclinado a rejeitar os direitos sociais, mas sempre achei esquisito isso de pregar que somos iguais em algum lugar. Seja na lei ou fora dela.
Por exemplo: se eu crio uma lei em virtude de pessoas idosas, eu tenho um critério de idade. Da mesma forma, a promoção de políticas para a, b ou c também implica a adoção de critérios que se atualizam de tempos em tempos conforme a evolução da sociedade. Em tempo: não estou criticando leis para idosos, também acho que são justas e importantes. Mas é um caso simples de verificar que não somos iguais: nem na vida, nem na história, nem na lei. Leis para idosos são específicas para pessoas desse grupo. É por isso que existem assentos prioritários, há diferença, não igualdade.
Reconhecer que somos diferentes significa entender que não há uma espécie de igualdade/neutralidade jurídica; há estatísticas, por exemplo, que mostram a tendência à condenação que grupos sociais infelizmente carregam consigo (por cor, condição social, entre outros fatores). Por isso a importância de cotas sociais e raciais: muita gente acha que é uma espécie de protecionismo, de privilégio, mas, na verdade, é um reconhecimento das diferenças históricas e sociais que nos constituem.
Por mais que algumas pessoas achem que cotas são privilégios ou frutos do racismo reverso, na verdade a política de cotas busca apenas promover a inclusão de sujeitos e a garantia de seus direitos.
Por isso tão difícil de compreender a complexidade das questões que envolver o outro: seja pelo gênero (pautas feministas e trans), seja pela questão social, racial, religiosa, política... Quem somos junto ao outro?
É contraditório defender igualdade num mundo desigual. Meu lugar nessa história é de observação e aprendizagem, só pra responder a pergunta do título!
