domingo, 13 de janeiro de 2013

Ana Maria



Ana Maria Ana
A Mariana
Nascida
Vicia

Ela é a luz ofuscante
nessa escuridão melancólica
Ela é a lua irrisória
em meio a tal deserto escaldante

Suas vestes vertiginosas
São vestígios inimagináveis
E eu, imaginativo, quero as inescrupulosas
faces e facetas adoráveis
dAna Maria que é rosa

nesse chão de sal
que só queima a flor qualquer

nessa imensidão de tédio
que revigora a alma comum

A Ana Maria é um mundo que nem existe
ela é um mundo para além
do bem e do mal
do alegre e do triste

Para além da minha poesia, tola,
para além da minha inspiração de poeta
ou  da minha aspiração de esteta

A Ana arquiteta
desconstrói a lógica quotidiana
e parada das cinzas paredes

A Maria artista
pinta as paredes do quarto
se joga num único salto
como peixe nascido fora do aquário

Porque a Ana Maria
Ana
não me engana
com seus instintos feéricos
nem nos seus labirintos ébrios

A Mariana vivida
é o doce deletério
da minha alma vil
e violável

A Mariana
É brisa marinha
ébria
cheia de artimanha
despida
das despedidas

Ah, essa mariana pessoa
impessoaliza meus sentimentos
possessos
e improváveis

abandona!, abandona!
A Ana Maria não amada?
Ou a vida sem sua musa?

O poeta, nesse paradoxo,
que é o ócio de viver
inventa poemas tortos
pra neles
Ana Maria
- que se ama -
renascer.

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