segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sonho

Há, no mundo, bilhares e bilhões de pessoas;
há bares e há boatos;
há boemia e há a lacônica abstenção...!

No mundo, tudo o que se pode conceber, há - pois já foi concebido, ainda que ideia.
No mundo, as mulheres são todas e os homens também - no mundo, a vida é para além.

E eu, pigmaleão, desinvento prozas e poéticas de perdição!
E eu desenho as musas e as desinvento na roda do tempo...
Sonho desacordado inadormecido,
Relembro a memória do desesquecido,
Desintegro-me solidamente de uma vez e aos poucos.

A geometria não mede,
a história não conta,
a filosofia não pensa,
a estatística não estatisfica!

Paradoxo negativo. Irrompido. Interrompido. Inegativo. Inenarrável.

Abro os olhos e só vejo você, que existiu antes mesmo de eu pensar que poderia existir alguém. Assim. Como você é.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Das cidades pequenas

A cidade estava, hoje, bela como nunca esteve!
Desgastada e exausta, isso bem é verdade;
Mas sei que nunca tão delicada e bela esteve
Como hoje estava a inquieta cidade!

Dormiu amanhecida de suas arquitexturas;
Um pouco confusa e perdida, me parecia...
Mas mereceu todas as notas e toda a poesia
A cidade que ressurgia de sua própria tessitura!

Perturbaram-me ainda mais as ruas da cidade
E os (dis)sabores em que a cidade crê
Onde está, afinal, a sua insanidade?

Nas linhas des.cobertas de Le Corbusier
o poeta distraído reinventa a verdade:
a cidade é toda poesia que se pode ter.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Para quem escreve torto em linhas retas

A arquitetura é todo o espaço
(des)construído Entre as regras
lineares da razão E as intempestivas
sinuosidades da loucura

A arquitetura é qualquer invenção
Sonhada para além do possível
Vivida sem temor nem medida Nas
intermitências do fato intangível

Arquitetar é deixar de ser
Para se deixar ser
Para viver sem moldura

Arquitextuar é voltar e Voltar
a se perder entre a realidade
e a obra de arte: tua pintura


domingo, 13 de janeiro de 2013

Ana Maria



Ana Maria Ana
A Mariana
Nascida
Vicia

Ela é a luz ofuscante
nessa escuridão melancólica
Ela é a lua irrisória
em meio a tal deserto escaldante

Suas vestes vertiginosas
São vestígios inimagináveis
E eu, imaginativo, quero as inescrupulosas
faces e facetas adoráveis
dAna Maria que é rosa

nesse chão de sal
que só queima a flor qualquer

nessa imensidão de tédio
que revigora a alma comum

A Ana Maria é um mundo que nem existe
ela é um mundo para além
do bem e do mal
do alegre e do triste

Para além da minha poesia, tola,
para além da minha inspiração de poeta
ou  da minha aspiração de esteta

A Ana arquiteta
desconstrói a lógica quotidiana
e parada das cinzas paredes

A Maria artista
pinta as paredes do quarto
se joga num único salto
como peixe nascido fora do aquário

Porque a Ana Maria
Ana
não me engana
com seus instintos feéricos
nem nos seus labirintos ébrios

A Mariana vivida
é o doce deletério
da minha alma vil
e violável

A Mariana
É brisa marinha
ébria
cheia de artimanha
despida
das despedidas

Ah, essa mariana pessoa
impessoaliza meus sentimentos
possessos
e improváveis

abandona!, abandona!
A Ana Maria não amada?
Ou a vida sem sua musa?

O poeta, nesse paradoxo,
que é o ócio de viver
inventa poemas tortos
pra neles
Ana Maria
- que se ama -
renascer.