quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Soneto de devoção


Em vão, leio, dos melhores poetas, os melhores sonetos,
E, das melhores orquestras, busco a melhor das sinfonias!
Em cada museu, procuro um quadro que seja o perfeito;
Garimpo a obra que seja a mais bela da cinematografia...

Pessoa, Baudelaire, Augusto dos Anjos ou Sartre...
Gauguin, Wagner, Munch, Beethoven ou Nietzsche...
Nem mesmo o mais idílico poema da história da arte!
Ou da filosofia o mais sublime autor que existe!

Nada nem nenhum seria uma hipérbole para tua beleza:
Pois tudo e todos são um eufemismo parco, pouco
Perante as tuas cintilantes e ambíguas proezas!

E eu, que me inspiro nesse lirismo de sufoco,
Me perco no abismo flutuante das tuas sutilezas!
Devoto a ti toda a minha alma... Todo o meu corpo!

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