A árdua disparidade de ser escritor em um domingo à tarde
Saber o sol a brilhar fora das quatro paredes
Das janelas fechadas
Da fachada de ser feliz
A dura dicotomia de ser escritor em uma noite fria
E saber o vento a cortar a pele fora dos casacos abotoados
E ver os botões de flores fluorescentes caírem desabrochados
Rolarem pelo chão cinza
A fácil monotonia entediante de se escrever em um livro
Velho
Esquecido na estante
Esperar
Pra ter algo
Que deva ser escrito
E saber que as histórias
São ficções
E por isso a realidade não é romance
domingo, 20 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
O que é a invasão
senão a vasão dos sentimentos
senão a visão dos detalhes
a inversão dos arrependimentos
e o sedimento dos retalhos
atolados em tua carne
prendidos em tua boca
alojados no teu cerne
presos sob tua força
e eu sei que hei de contar-te
as novidades do mundo das artes
as raridades do mundos dos mortos
e tudo que ainda posso
hei de fazer
hei de poder
hei de amar lutar morrer
porque sou
um ser
porque sou
eu
porque sou
e sei o porquê
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
por vezes as veredas são verdades.
mesmo que vedadas ou veladas,
porque são vorazes
e velozes;
são vestígios de vestes, de vestidos
tecidos em veludo.
são vertigens
viagens
vôos;
voz presa que clama pelo grito;
voz tensa que grita ao infinito;
o ver e o verificar submissos à vingança
à ganância de vingar!
E o vermelho-sangue derrama-se feito vinho tinto
a fugir pela garrafa partida em muitas partes;
Vermelho-morte
Vermute morno
Vontade pela metade
porém transbordante
de desejos fugazes,
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