travos dissabores entrevistos
entre as vistas
o vislumbre
das entrelinhas
entre as linhas do horizonte
e do sentido
já não mais sentido
já não mais sensível;
teu toque e traços finos
entornados sobre o tórax
teus atrasos trôpegos
sem fôlegos
justificados em teu sotaque
em tua sordidez
em tuas taras trânticas;
caras de inocente
finge malevolente
esse menino ligeiro
passa o tempo inteiro
a fingir-se indulgente
a manter luto sorridente
sobre um chão de sal que pisa
de valsa que se dança de pés descalços
de marcha fúnebre e funeral marchante
grita o defunto ao mundo: sentirei saudades
mas o menino flerta com a filha do cadáver
e inda pensa por um instante como são
irrelevantes (essas) questões de linguagem

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