sexta-feira, 30 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Soneto reto
Minhas conclusões não concluem coisa alguma
Nem estou convicto de minhas convicções
Só sei caminhar se for para parte nenhuma
Há malícias em todas as minhas boas intenções
Minha vida, uma taça de champanhe sem espuma
Um professor que não aprende suas lições
E que não ensina algo as suas tolas alunas
Sou morto de fome que vomita frente às refeições
Existo porque da existência não parti
E se eu aqui estou, estou por inaptidão
Porque nem espero o que ainda possa vir
Eu só temo desembarcar duma desilusão
Porque disso já não é possível se iludir
Na companhia da minha triste solidão
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
(re)lapsos de memória
Retrato

Tua pose de senhora
Teu olhar de menina
Me mata e alucina
Me faz perder a hora
E antes de ir embora
Tu, audaz assassina,
Me fazes essa chacina
Prazer que tu adoras
Me olhas pecaminosa
E desvias o olhar em frente
Miras aquela gente mimosa
E me tornas indiferente
Quando te despedes cerimoniosa
Com tuas despedidas – contidas –
[e indecentes
Concretude
Minhas conclusões não concluem coisa alguma
Nem estou convicto de minhas convicções
Só sei caminhar se for para parte nenhuma
Há malícias em todas as minhas boas intenções
Minha vida, uma taça de champanhe sem espuma
Um professor que não aprende suas lições
E que não ensina algo as suas tolas alunas
Sou morto de fome que vomita frente às refeições
Existo porque da existência não parti
E se eu aqui estou, estou por inaptidão
Porque nem espero o que ainda possa vir
Eu só temo desembarcar duma desilusão
Porque disso já não é possível se iludir
Na companhia da minha triste solidão
(d)as dores do mundo
Não há o que se buscar na vida. A vida é simplesmente um suceder de fatos distantes, aleatórios, estéreis. A vida nada tem de belo, de complexo ou sequer mesmo de sentido.
Somos uma composição de pequenos fatores; de certa forma, somos reduzidos a átomos, que nada têm de humanos. Somos composto por coisas que não são aquilo que somos. Somos outros. Estranhos.
E o tempo, tão incompreensível? Risível nossa tentativa de entendê-lo, se a cada dia que se nos apresenta já somos o passado do que já foi e já não é nem será. Que ser estranho é esse que nos consome?! Não podemos fugir de nós mesmos. Não podemos ter outra consciência que não a nossa. Nem outro andar, nem outra voz. Não somos nada que não seja nós mesmos, e, mesmo assim, nós mesmos não somos nós.
Em um formigueiro com seis bilhões de formigas, a morte de uma seria insignificante. Quantas pessoas morrem em um dia e nem sabemos que elas nasceram, menos ainda que morreram? Quantas pessoas estão a um passo, a um sopro da morte neste exato instante? Quantas pessoas passam por mim e eu não sei de seus desejos, de seus problemas, de suas dúvidas, de suas taras ou mesmo de suas futilidades!
Por que haveria de ser a minha vida mais importante do que a de qualquer uma dessas formigas? E o bom gosto, e a are, e a inteligência? Do que valem? Do que vale ser menino prodígio nesse antro de velhos atrasados, reumáticos e frouxos?
Para que hei de me perguntar o que a moça da esquina sente por mim se ela sequer consegue compreender uma poesia, que dirá, então, de um amor idealizado em passos sobre o asfalto molhado? Para que terei que deixar meus escritos se meus leitores não sabem ler?
Por mais elevada que seja minha vida, e ela não é, a vulgaridade do mundo é tamanha que eu só poderia voar nos meus sonhos, preso no silêncio vazio do meu quarto. Os superiores são condenados ao silêncio e ao vazio; apenas no isolamento podem manter-se superiores.
Toda vez que uma pessoa de gosto cultivado aproxima-se de uma de gosto inferior, prevalece a tolerância da primeira em relação à segunda. Sente-se pena da mediocridade: por isso é tolerada. E por isso persiste em existir.
Procurar profundidade em um organismo composto de carne e osso é uma perda de tempo. Somos um instinto egoísta e imediato.
Toda a humanidade está condenada a si mesma.
