sexta-feira, 30 de outubro de 2009

TODASASFACESESFACELADASFATIGADAS
TODASASVOZESSEMASASSEMGRITOSSEMNADA
TUDOÉCAOSÉDESORDEMÉALEGORIAALEATÓRIA
NADASOMOSNADA
TODOSMORTOSDEUMAVEZSÓ
UMSUICÍDIOSEMPRECEDENTESNEMDESCENDENTES
NAHISTÓRIADOREBANHODERABOPRESO
NÃOHÁSENTIDONÃOHÁGRAMÁTICASEQUERÉLINGUAGEM
ESQUEÇA-MEESQUEÇA-TEESQUEÇA>DESAPAREÇADESTATREVAQUETETRAVA
'CUSPANESSABOCAQUETEBEIJA'
Sigo minha trilha transversal
Em
Reveses
Eu
reverso
visceral
retrocesso
(in)verso

Às vezes
Sem temer
Nem tremor

Por ora
Partido
Entre nada e agora

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Falam-se de coisas. Falam-se de cores. Faltam acordes. Falhos acordeões. Falsos artistas. Hábeis artesãos. Fala-se de mim. Falácias minhas. Flores para ti. Fossas para mim. Facas encravadas na cara esfaqueada. O cravo a suspirar a manhã. Florescida. No jardim. De jasmins. De violetas. Violentas. Hedonistas. Hediondas. Passam os vizinhos. Passarinhos. Passos lentos. Devagar a vagar. Sem vaga, sem tralhas. Sem trilhos. Nem ladrilhos. Ou ladrões. Latidos. De um cão distante. Uivante. Temido. Teimoso. No cio ocioso colosso. Dizem por aí. É o que andam dizendo. E eu ouvi. E não vou fingir que não. Que não sei fingir. Que é franco. Se é fraco. Que é forte. Se é fugaz. Se é fulminante. Ataque cardíaco. Taquicardia. Trâmites. Ardiloso. Calado. Falam-se de coisas. Falamos de cores. Comemos flores. Falhos acordes. Faltam acordeões. Sem artesões. Nem abóbadas. Hábeas corpus. Fala-se de ti. Falácias tuas. As minhas flores. As tuas fossas. As faces afagadas por afagos afetuosos. A rosa a murchar na noite. Putrefação. Na floresta. Florida. De feras. de plantas selvagens. Sentimentais. Sensíveis. Passamos pelos vizinhos. Passamos rápidos. Sem fazer as pazes. Sem mexer os pés. Gatos. Gritos. Tapas. Tiros. No ritmo irreversível da rotina. Retinas eriçadas. Nubladas. É sincero e sozinho. É desacelerado. É violado. Vilão. Vil.

Falaram de coisas. Falarem de cores.

Soneto reto

Minhas conclusões não concluem coisa alguma

Nem estou convicto de minhas convicções

Só sei caminhar se for para parte nenhuma

Há malícias em todas as minhas boas intenções

Minha vida, uma taça de champanhe sem espuma

Um professor que não aprende suas lições

E que não ensina algo as suas tolas alunas

Sou morto de fome que vomita frente às refeições

Existo porque da existência não parti

E se eu aqui estou, estou por inaptidão

Porque nem espero o que ainda possa vir

Eu só temo desembarcar duma desilusão

Porque disso já não é possível se iludir

Na companhia da minha triste solidão

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

(re)lapsos de memória

Os prazeres vencem a contenção
mas o orgulho esquece facilmente
o que para o orgulho não importa
e para a reputação é inconveniente.


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Eu não vou fazer um post scriptum, mas o que farei é exatemente um. Esta micro-poesia foi concebida ao ler um texto intitulado Corporais - Criação Pictórica e é um plagio descarado de uma máxima de Friedrich Nietzsche. Se você gostou do texto, ou é um nietzscheano, pelo menos em parte, ou nem sabe o que está dizendo e lendo. Se você é um leitor ignorante, não perca tempo lendo blogs de escritores pouco afamados e menos ainda talentosos.
Tua timidez de tintas e taninos
travos dissabores entrevistos
entre as vistas
o vislumbre
das entrelinhas
entre as linhas do horizonte
e do sentido
já não mais sentido
já não mais sensível;

teu toque e traços finos
entornados sobre o tórax
teus atrasos trôpegos
sem fôlegos
justificados em teu sotaque
em tua sordidez
em tuas taras trânticas;

caras de inocente
finge malevolente
esse menino ligeiro
passa o tempo inteiro
a fingir-se indulgente
a manter luto sorridente

sobre um chão de sal que pisa
de valsa que se dança de pés descalços
de marcha fúnebre e funeral marchante
grita o defunto ao mundo: sentirei saudades

mas o menino flerta com a filha do cadáver
e inda pensa por um instante como são
irrelevantes (essas) questões de linguagem

Retrato


Tua pose de senhora

Teu olhar de menina

Me mata e alucina

Me faz perder a hora

E antes de ir embora

Tu, audaz assassina,

Me fazes essa chacina

Prazer que tu adoras

Me olhas pecaminosa

E desvias o olhar em frente

Miras aquela gente mimosa

E me tornas indiferente

Quando te despedes cerimoniosa

Com tuas despedidas – contidas –

[e indecentes

Concretude

Minhas conclusões não concluem coisa alguma

Nem estou convicto de minhas convicções

Só sei caminhar se for para parte nenhuma

Há malícias em todas as minhas boas intenções

Minha vida, uma taça de champanhe sem espuma

Um professor que não aprende suas lições

E que não ensina algo as suas tolas alunas

Sou morto de fome que vomita frente às refeições

Existo porque da existência não parti

E se eu aqui estou, estou por inaptidão

Porque nem espero o que ainda possa vir

Eu só temo desembarcar duma desilusão

Porque disso já não é possível se iludir

Na companhia da minha triste solidão

(d)as dores do mundo

Não há o que se buscar na vida. A vida é simplesmente um suceder de fatos distantes, aleatórios, estéreis. A vida nada tem de belo, de complexo ou sequer mesmo de sentido.

Somos uma composição de pequenos fatores; de certa forma, somos reduzidos a átomos, que nada têm de humanos. Somos composto por coisas que não são aquilo que somos. Somos outros. Estranhos.

E o tempo, tão incompreensível? Risível nossa tentativa de entendê-lo, se a cada dia que se nos apresenta já somos o passado do que já foi e já não é nem será. Que ser estranho é esse que nos consome?! Não podemos fugir de nós mesmos. Não podemos ter outra consciência que não a nossa. Nem outro andar, nem outra voz. Não somos nada que não seja nós mesmos, e, mesmo assim, nós mesmos não somos nós.

Em um formigueiro com seis bilhões de formigas, a morte de uma seria insignificante. Quantas pessoas morrem em um dia e nem sabemos que elas nasceram, menos ainda que morreram? Quantas pessoas estão a um passo, a um sopro da morte neste exato instante? Quantas pessoas passam por mim e eu não sei de seus desejos, de seus problemas, de suas dúvidas, de suas taras ou mesmo de suas futilidades!

Por que haveria de ser a minha vida mais importante do que a de qualquer uma dessas formigas? E o bom gosto, e a are, e a inteligência? Do que valem? Do que vale ser menino prodígio nesse antro de velhos atrasados, reumáticos e frouxos?

Para que hei de me perguntar o que a moça da esquina sente por mim se ela sequer consegue compreender uma poesia, que dirá, então, de um amor idealizado em passos sobre o asfalto molhado? Para que terei que deixar meus escritos se meus leitores não sabem ler?

Por mais elevada que seja minha vida, e ela não é, a vulgaridade do mundo é tamanha que eu só poderia voar nos meus sonhos, preso no silêncio vazio do meu quarto. Os superiores são condenados ao silêncio e ao vazio; apenas no isolamento podem manter-se superiores.

Toda vez que uma pessoa de gosto cultivado aproxima-se de uma de gosto inferior, prevalece a tolerância da primeira em relação à segunda. Sente-se pena da mediocridade: por isso é tolerada. E por isso persiste em existir.

Procurar profundidade em um organismo composto de carne e osso é uma perda de tempo. Somos um instinto egoísta e imediato.

Toda a humanidade está condenada a si mesma.