o óbvio
o inusitado
o já esperado
o nada
o coisa nenhuma
o qualquer
o tanto faz
o tudo feito
um lugar freqüentado pelas mesmas pessoas
num lugar em que as pessoas nunca são as mesmas
a mesma música
a mesma maluquice
sempre uma nova musa
sempre uma nova imensidão
eu quero ir para um lugar em que nada seja permitido
que tudo seja proibido
e todos quebrem as regras
até mesmo se não quebrarem
barreiras
pistas
filas
garrafas
farsas
eu quero um lugar em que a verdade seja máscara
seja metáfora
seja imoral
seja uma vontade morta
de não ser morto
de não ser morno
de ser não mais
do que aquilo que se quer ser
eu quero ir para um lugar
em que nunca sejamos completos e realizados
que sempre falte algo que já é passado
ou que nunca venha algo pelo qual esperamos
eu quero ir e me perder
sem ter possibilidade de volta
de revoltas
de receios
um lugar em que nada seja medo
em que tudo seja um furação
um tornado
isolado do resto do mundo
que só seria resto
que só seriam rastros
de pedaços
sem rosto
eu quero estar nesse lugar
que é só luar
que é só luz
que sempre é madrugada cheia
que sempre é enluarada varanda
donde me espiam olhos sacanas
Eu quero
e eu vejo você comigo
lá
a dançar
o hino sincero
dos amores insandecidos

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