quinta-feira, 27 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Ditadura
O rapaz desesperado
Em meio ao pranto
Dizia aos berros
À sua namorada
Que estava cansado de ressacas
De meios e de termos
De malhas e de ternos
Queira tudo inteiro
Erros
E acertos
E pedia
Impelido
Pelo despeito
Sem festa
Nem enfeite
A hora é esta:
Me ame ou me deixe
Auto-ajuda barata e inútil
Só se diz talvez quando se tem convicção daquilo que se fala.
Os ditados populares são pérolas da sabedoria. O problema é que eu sempre penso que eles diziam outra coisa, e a gente é que não sacou.
A ironia é uma arma dos fortes, e não dos fracos, M. Sartre. O que se pode fazer se a vida também é irônica?
Se a seleção natural existe de fato, eu me pergunto que merdas não são os mais fracos. Se a nossa força é essa, já estamos derrotados – perdemos para nossa burrice.
Todo mundo anseia oportunidades convenientes de se fazerem boas perguntas, mas poucos destes preocupam-se com as boas respostas.
Uma pessoa velha sempre tem muito a ensinar. Ser chato, pessimista e mau-humorado é uma conseqüência natural de ser humano.
Uma das coisas mais repetidas da minha geração é esta famigerada e falha história de querer ser diferente. São muitas as tribos e as pessoas que se consideram diferentes de todo o resto. Começo a desconfiar que se considerar normal é uma característica muito peculiar.
Se todas as minorias sociais ascenderem, ser um homem branco e heterossexual vai ser difícil. Ainda mais se não for esquerdista.
Não existem tempos bons ou maus. Os adjetivos são particulares aos critérios de valor.
Os melhores amigos não são aqueles que estão conosco nos maus momentos, mas, sim, aqueles que não pedem favores excessivos nos bons.
Existe uma enorme diferença entre ser sociável e ser babaca. O problema é que muitas pessoas ou não percebem isso, ou fingem não perceber. Um sujeito simpático e bem educado tende a ser tratado como um babaca a quem se explora e a ser lembrado apenas quando seus favores e habilidades fazem falta.
Uma mulher que não quer ser tratada como um objeto não pode, igualmente, se comportar como um.
Sempre que alguém me pergunta “para que serve filosofia/arte?”, eu minto.
Quem enxerga um problema tem a responsabilidade de procurar uma solução. Não se pode confiar aos outros uma tarefa individual. Se eu dependesse da boa vontade do mundo, jamais teria aquilo que todos desejam.
A moralidade, nos meus tolos tempos, divide-se em um discurso e uma prática. Um, por excelência, opõe-se ao outro.
O pensamento popular está recheado de auto-contradições, de raciocínios vagos, superficiais e tolos; quando estou otimista, penso que as pessoas mentem umas para as outras a fim de obterem vantagem em relação às demais. É a única forma de se ver inteligência no meio de tanta asneira.
A modéstia é a melhor forma de fazer uma pessoa competentíssima e uma inútil parecerem estar no mesmo nível. Aquele que é modesto compactua com isso. Aquele que é elevado e modesto é, a rigor, um suicida.
Não se deve ajudar alguém que não mereça ajuda. Levar nas costas um boi é um peso que pode fazer você fraquejar.
Acabar com os preconceitos é algo mítico. A menos que se eliminem todas as classificações coletivas possíveis, o que me parece improvável, sempre haverá um grupo, uma classe, uma tribo que esteja em desvantagem. E esta sempre será vista com olhos de desconfiança.
O velho metafísico fala do dever do ser. O ser deve ser aquilo que ele é, e não aquilo que ele deve ser segundo a velha metafísica. A partir do momento que se concebe um fenômeno, deve-se admitir também suas auto-contradições, falhas, inconsistências e, sobretudo, arbitrariedades.
Para se defender uma tese, o único erro imperdoável é não colocá-la à prova. Qualquer cientista que parta do princípio de que sua hipótese está correta, não faz ciência - e, conseqüentemente, não é um "...".
