Meu lar é um doce
Ninho de cobras
Cheio de traças
E ratos
Cheiro do ralo
De vômito
Do estômago defecado
Dos odores dissecados
Das dores do parto
Da puta que me pariu
Pro diabo que me carregue
E me leve
Pr’onde Judas perdeu as botas
Pr’onde Jesus perdeu o juízo
Sou um arranhar
Rastejante
Preso às entranhas rasgadas
À placenta úmida
Plácida
Monotonia colérica
Histérica história
Sem fundos de memória
Sem fundos de pensão
Sem fundos de verdade
Sem fundos de maldade
Sem fundos de fundar
E de foder
E de furar
As frouxas roupas do rei
Matar e temer
Atar-me em te ter
Meter e me ver a
Atear taras
Atrair iras
Trair atrozes
Travar atrasos
Tramar traições
Amar traidores
Tapar as estampas
As estopas
E fazer sopa
De dissabores
sexta-feira, 3 de julho de 2009
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