sexta-feira, 3 de julho de 2009

Há de ver cidades

Meu lar é um doce
Ninho de cobras


Cheio de traças
E ratos
Cheiro do ralo
De vômito
Do estômago defecado
Dos odores dissecados
Das dores do parto

Da puta que me pariu

Pro diabo que me carregue

E me leve
Pr’onde Judas perdeu as botas

Pr’onde Jesus perdeu o juízo

Sou um arranhar
Rastejante
Preso às entranhas rasgadas
À placenta úmida
Plácida
Monotonia colérica

Histérica história
Sem fundos de memória
Sem fundos de pensão
Sem fundos de verdade
Sem fundos de maldade
Sem fundos de fundar
E de foder
E de furar
As frouxas roupas do rei



Matar e temer
Atar-me em te ter
Meter e me ver a
Atear taras
Atrair iras
Trair atrozes
Travar atrasos
Tramar traições
Amar traidores
Tapar as estampas
As estopas


E fazer sopa
De dissabores

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