terça-feira, 30 de junho de 2009

Ficções

Não quero sofrimentos, sentimentos, desabafos, relatos, enfim, linguagem morta, torta, podre, a se esvair pelo canto da boca, pelo lado da porta.

Não quero confissões nem confessionários. Quero idolatrar qualquer besteira boba que suja um pouco a casa, que fujo um pouco dos retalhos rotos das mãos de minha mãe.


Dizer que se sente, se sofre, se entende, ah, tudo isso!, ah, é tudo indecisão! Estreita, lisa, fina, reta. É tudo prelúdio lúdico dos dias que virão, dos dias que verão.

Cuspido esse cupido escarrado e mal comido! Vá amar a minha porra na tua boca, Demônios! Vá amar teu cu arrebentado!

Vá amar sopa de letrinhas, feitas com varinha de condão. Vá amar o tecido de algodão que te cobre as desavergonhadas protuberâncias da puberdade. Vá amar tua idade que te esconde do relógio.

E deixe que tua leveza seja a correnteza dos maus momentos. E deixe que tua alegria vire tristeza com o passar dos tempos. Com o passar das estações e das estradas, verás os passos ultrapassados que te fazem tão quietinho, tão cretino, tão credor!

Não há espaço para o amor. Tome posse dos pedaços de vida, querida, bem-querer, tome poças de loucura e de enternecer.

Não há mais espaço para o amor: o que existe já nos basta. Não há mais tempo para o amor. E nenhuma outra farsa.

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